Entrevista com o músico ERIC KLUG, da turma de 1987, feita por Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi para o blog do ex-Santa.

1. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Conte-nos brevemente como começou a tocar sax e como veio a integrar a banda de Jazz do Esporte Clube Pinheiros?
(Eric Klug) Comecei a tocar com 16 anos, no Santa Cruz. Ouvi um estilo de música chamado fusion, algo entre jazz e rock, e as bandas de fusion quase sempre tinham um sax alto na banda. Quando ouvi Jazz mais tradicional pela primeira vez, se não me engano foi Coleman Hawkins, me apaixonei pelo sax tenor. Depois comecei a tocar sax soprano também.
2. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Como se formou a banda de jazz do clube?
(Eric Klug) Um sócio do Clube Pinheiros, o arquiteto Tito Livio Frascino, pensou que deveria haver no clube outros músicos amadores mas apaixonados por Jazz. Ele estava certo. Arregimentou o band leader Sebastião Bazotti e começou a banda.
3. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Como é a rotina de uma banda de Jazz e de seus integrantes?
(Eric Klug) A banda hoje tem oito integrantes, quatro metais (sopros) e quatro na cozinha (seção rítmica). São professores, arquitetos, engenheiros, etc que tem na banda uma grande válvula de escape do dia a dia corrido. Ensaiamos toda quarta-feira e tocamos para o público na ultima quarta-feira de cada mês. Tocamos no bar do Clube Pinheiros, em palcos ao ar livre dentro do clube, outros clubes como Paineiras e Paulistano e bares. O repertório é Jazz e Bossa Nova, ou Samba Jazz. Nada tipo banquinho e violão. A banda é grande e o repertório, de Sérgio Mendes, Sonny Rollins, Herbie Hancock, etc, tem uma dinâmica bem variada e para cima.
4. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Descreva fatos curiosos também.
(Eric Klug) Uma vez fomos convidados para tocar em uma partida de basquete importante no Clube Pinheiros, foi bem interessante, como aqueles jogos nos EUA que tem música, mascotes, etc. Mas o público não estava muito interessado na música, para falar a verdade.
Tem show nosso que vem gente dançar sozinho na frente da banda, o que acaba sendo bem engraçado.
O nosso baterista e ótimo e tem um passado célebre, quando a sua banda Bossa Jazz Trio fez turnês internacionais com a Elis Regina, tocando em lugares como o Olympia de Paris.
Eu também tenho uma outra banda, um trio (sax soprano, piano e baixo) que faz um repertório mais camerístico, mais delicado.
5. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Quais os momentos mais interessantes de sua carreira musical?
(Eric Klug) Uma vez toquei na rua em Londres com o Eduardo Martino, um colega do Santa Cruz. No Brasil tocávamos sempre juntos e nesta ocasião eu estava voltando da Índia e ele indo para a Suécia. Nos encontramos em Londres e decidimos comemorar o encontro tocando música brasileira em Portobello Road.
6. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) E qual foi o mais emocionante?
(Eric Klug) Na verdade o mais emocionante não foi tocando, mas cantando. Eu cantava no Coralusp e apresentamos o Requiem de Mozart com a Sinfônica de Campinas no Teatro Cultura Artística e na Sala São Paulo. Foi uma grande conquista que deixou lembranças até hoje.
7. Vanessa Pasquini De Rose Ghilardi (ex-santa) Como você vê a evolução do mercado de música jazz no Brasil nos últimos 10 anos? É viável ser músico profissional? Discorra.
(Eric Klug) A vida do músico de Jazz é muito difícil. Há muitas casas de Jazz em São Paulo, por exemplo, mas cidades como o Rio, que já foi a Meca do jazz, tem uma vida muito pobre hoje em dia neste setor. Eu nunca vivi de música apesar de ter trabalhado para a Cultura Artística, English Chamber Orchestra e Mozarteum Brasileiro em diversas capacidades. Para mim ser músico amador é a fórmula perfeita. Toco quando quero, com pessoas de que gosto e o repertório que escolhemos. A vida do músico profissional não é assim.
Fotos do artista:

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